O homem realiza o sonho e constrói a sua própria cova: “Se pudesse, morava dentro”

Viralizou nas redes sociais, Alberto Jorge Souza, 54 anos, que já está preparado para o dia da morte. Alberto mora em Caico, no Rio Grande do Norte, e surpreendentemente construiu sua própria cova ainda na vida e diariamente frequenta o local, “faça chuva ou faça sol”, para deixá-lo limpo e organizado.

Alberto, é conhecido como Beto Fera e contou como tudo começou:

” Quando eu era pequeno eu sempre via que as pessoas em belos covas e eu admirava, eu pensava, era tudo muito bonito. Então eu coloquei na minha cabeça que eu queria fazer uma cova tão grande para mim. Comecei a trabalhar, juntar dinheiro devagarzinho, e estava indo, ” conta para mim. Fui eu que tinha os corpos prontos. Ele deu banho, ele saiu na residência. Eu sempre fui muito a favor de trabalhar com pessoas que já morreram. E à primeira vista eu me apaixonei por ela. Se pudesse, morei dentro do meu túmulo, com uma casa subterrânea. Eu não comprei um caixão para levar para a casa porque ele é pequeno. Minha vontade é comprar um caixão e carregá-lo para dentro, porque na noite fria eu tenho onde dormir. Um dia um amigo chorou muito enquanto eu vi o meu túmulo e quando o encontrei no comércio da cidade eu tive um susto muito grande e passou mal no meio da rua. Foram tantos anos que nós não nos vimos e ele pensou que estava morto. Quando eu disse que aquilo era eu, o homem estava tão nervoso que ele não queria se aproximar e a filha continuou avisando que eu estava, de fato, vivo. Aqui, o pessoal tem medo da alma, mas eu já dormi dentro do cemitério e sempre foi tranquilo. “

Alberto chegou a simular o próprio sepultamento. Com um caixão emprestado e com a ajuda de amigos, ele fez tudo como manda os rituais ditados. Beto disse que o próximo dia de Finados repetirá a simulação de enterro.

” Eles me colocaram em cima do carro, colocaram flores, andaram devagar, como que estivesse rezando. Eles fecharam a tampa e eu vi uma escuridão lá. Eu não tinha medo. Estou preparado para a morte e senti uma sensação muito boa, como se tivesse ido á caminho para o Céu. Eu nunca quis ficar vagando por aí, me mostrando e pedindo para que as pessoas façam algo diferente com o meu túmulo, cobrando. Como já fiz na vida, isso torna tudo muito mais fácil. E também evita os entrigas na família, porque eu já tenho um canto direito. A pessoa nunca pode abrir a boca e dizer ‘minha casa é isso’. Você está morando em uma casa, não pertence a você, que vai ficar para outros familiares, porque sua casa certa é o cemitério: Você vai lá e nunca sai.